Romance: Tentação da Serpente


Um olhar feminino sobre o Antigo Testamento.
Uma história de mulheres, para mulheres, de que os homens também gostam.

"Tentação da Serpente" é uma reedição de "O Romance da Bíblia", publicado em 2010.

30 dezembro 2013

"Tinha a certeza de que me queriam matar", revela a jornalista ucraniana agredida

A jornalista ucraniana Tetiana Chornovil considerou que o ataque de que foi vítima na quarta-feira "não terá sido cometido de forma aleatória", depois de passar o dia a fotografar as propriedades do ministro do Interior e procurador-geral. 


Em entrevista à televisão pertencente à oposição da Ucrânia, Kanal 5, ainda no hospital, a jornalista opositora do Governo, que tem o nariz partido e ainda não pode abrir um olho, disse que no dia da agressão foi seguida "por um jipe de luxo de cor preta".

A agressão ocorreu no mesmo dia em que a jornalista fez várias fotos das propriedades do ministro do Interior, Vitaly Zakharchenko, e do procurador-geral Viktor Pchonka, afirmou Tetiana Chornovil, que é igualmente ativista da "Euromaidan" (Praça da Independência), onde se concentram as manifestações pró-União Europeia.

O ataque aconteceu perto da meia-noite (hora local) numa rua próxima da cidade de Boríspol, na periferia de Kiev, quando Chornovil regressava de carro da capital para sua casa na localidade de Gorá.

"Voltei para a minha aldeia (nos arredores de Kiev). Quando eu vi este carro, eu decidi ir para Maidan", contou a jornalista, assinalando que o veículo que a seguia começou a bater de todos os lados para a forçar a parar o automóvel.

"Quando você é atingido por um carro e de luxo, você entende que sua vida tem um preço", disse, adiantando que, apesar de ter tentado fugir, um dos ocupantes do jipe quebrou uma janela do seu carro, pegaram nela e bateram-lhe "várias vezes na cabeça e no rosto".

"Eu tinha certeza de que me queriam matar", afirmou, na entrevista ao Canal 5.

A jornalista, que publicou vários trabalhos investigativos sobre a residência "ilegalmente privatizadas" pelo Presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, disse igualmente na entrevista que descobriram recentemente uma nova residência do chefe de Estado ucraniano.

A agressão a Tetiana Tchornovol, que também está na vanguarda da disputa pró-europeia, causou uma onda de revolta na Ucrânia e no exterior, e a oposição ucraniana convocou uma nova manifestação para domingo.

Entretanto, a polícia ucraniana anunciou que foram já detidos três suspeitos da agressão à jornalista.

Jovem violada por 2 gangues, na mesma noite, na Índia

Na véspera de Natal uma mulher indiana foi atacada duas vezes por dois gangues diferentes quando saiu da casa de uns amigos. Pelo meio ainda foi ajudada por uns conhecidos mas o segundo grupo de homens conseguiu raptá-la dos ajudantes, avança a BBC.
Uma mulher de 21 anos foi violada por dois gangues diferentes no mesmo dia, em Pondicherry, na India. A polícia local afirmou que os 10 homens envolvidos foram detidos, de acordo com a BBC.

Smitha regressava a casa depois de passar a consoada com uns amigos, em Karaikal, na província de Puducherry, na Índia, quando foi sequestrada por três homens e violada por um deles. Alguns minutos depois, outro grupo de sete homens chegou e seis deles voltaram a violá-la, um por um, alternadamente.

Smitha estava acompanhada de uma amiga e do namorado desta. Rani queixou-se de mal estar e o rapaz propôs que fossem para casa de um amigo, ali perto. Smitha sugeriu que subissem só os dois, pois queria voltar para casa cedo. E seguiu caminho.

No momento em que se encontrava sozinha, em segundos, um gangue de três homens aproximou-se e sequestrou-a. A jovem ainda conseguiu contactar uns amigos, dois dos quais a localizaram e foram ao seu encontro, mas, quando estavam a levá-la para um local seguro, apareceu outro gangue de sete homens que os atacou, afastando-os. E Smitha voltou a ser violada e agredida violentamente.

Os dois amigos, já recuperados, iniciaram uma caça aos agressores e partiram em busca da jovem. Conseguiram identificar um dos homens envolvidos e decidiram fazer justiça, envolvendo-se numa rixa com o guangue que, entretanto, se reunira. 

Um homem residente no local alertou a polícia para o que estava a suceder. Três dos agressores foram presos e outros sete suspeitos detidos mais tarde. A polícia adiantou que um dos jovens acusados era menor de idade e avança ainda que os dois grupos não têm qualquer relação entre si e não eram conhecidos da vítima.

A comandante da polícia local, Monika Bahardwaj, revelou que foi aberta uma investigação para averiguar a veracidade do depoimento da vítima. O inspetor e chefe do departamento, Venkatachalapathy Sabapathy, foi suspenso por não conseguir lidar com o incidente. 

A BBC refere que dois agentes da polícia foram suspensos no desenrolar deste caso por se terem negado a registar a participação da mulher.

Os suspeitos já confessaram o crime, diz a polícia, mas ainda não foram formalmente acusados pelo tribunal. Nenhum deles falou publicamente sobre o sucedido.

Smitha trabalhava numa empresa de informática, em Tamil Nadu. Foi encontrada em estado muito grave e está neste momento internada no Hospital de Yaraikal, perto de Puducherry.


A Índia tem sido amplamente noticiada devido a casos de violência contra as mulheres, mesmo tendo já havido mudanças nas leis devido ao caso ocorrido em Dezembro do ano passado em Nova Dehli, em que uma estudante de 23 anos foi espancada e violada repetidamente num autocarro em movimento por um grupo de homens, tendo resultado na sua morte.

11 dezembro 2013

Hyeonseo Lee: A minha fuga da Coreia do Norte

Enquanto criança a crescer na Coreia do Norte, Hyeonseo Lee pensava que o seu país era "o melhor do mundo". Apenas com a fome dos anos 90 é que começou a questionar-se. Ela fugiu do país aos 14 anos, para começar uma vida na clandestinidade, como refugiada na China. A ela pertence uma história angustiante e pessoal de sobrevivência e esperança – e uma poderosa lembrança daqueles que enfrentam o perigo constante, mesmo quando a fronteira já ficou para trás. Born in North Korea,
Filmed Feb 2013 • Posted Mar 2013TED2013

Hyeonseo Lee left for China in 1997. Now living in South Korea, she has become an activist for fellow refugees.

Manal al-Sharif e a sua luta pelos direitos das mulheres

Não existe uma verdadeira lei que proíba as mulheres de conduzir na Arábia Saudita. Mas é proibido.

Há dois anos, Manal al-Sharif decidiu encorajar as mulheres a conduzir, fazendo-o — e filmando-se para o YouTube. Ouçam a sua história do que aconteceu em seguida e como ela luta pelos direitos das mulheres sauditas.

Manal al-Sharif advocates for women’s right to drive, male guardianship annulment, and family protection in Saudi Arabia.


A culpa é tua!

Atrizes satirizam culpabilização da mulher, na Índia, em casos de violação



A maioria das vítimas de ataques sexuais são mulheres, que vêem apontadas as suas roupas como razão do crime que sofreram. Atrizes de Bollywood usam a comédia para criticar este argumento.
 
Duas atrizes indianas usam o sarcasmo para criticar aqueles que culpabilizam as mulheres vítimas de violação sexual, seja por saírem à noite com amigos homens ou por usarem saias na rua.
 
Nos últimos meses têm ocorrido vários casos de abusos sexuais na Índia, incluindo ataques em grupo. O debate sobre este tema é cada vez mais frequente na sociedade indiana.
 
O vídeo, intitulado ‘A culpa é tua', mostra duas atrizes, ambas membros do grupo de comédia All India Backhod's, a dizerem às mulheres que elas são culpadas pelo crime que sofreram.
 
"Mulher, a culpa é tua", repetem à medida que apontam as razões para a sua violação: ficar a trabalhar até tarde, as roupas que usam e não dar luta aos agressores, à medida que vão ficando com cada vez mais feridas e ensanguentadas.

Violações sexuais não param de aumentar na Índia

25 mil mulheres por ano são violadas na Índia, uma a cada 20 minutos. Há oito meses uma violação coletiva num autocarro, em plena luz do dia, matou uma estudante. O caso incendiou a opinião pública indiana e deu visibilidade mundial a este crime horrendo, apesar disso o número de violações sexuais não pára de aumentar.
Artigo publicado no portal Opera Mundi - 2 Setembro, 2013 
     
 
Sonali Mukerjee era estudante em Dhanbad, uma pequena cidade do nordeste. No dia 22 de abril de 2003, três jovens assediaram-na sexualmente ao sair do colégio. A jovem defendeu-se e chegou a casa ilesa. Durante a noite, os atacantes invadiram-lhe a casa e lançaram-lhe ácido no rosto e em boa parte do corpo, enquanto dormia. A sua pele ardeu, os seus olhos e orelha desapareceram quase por completo. Tinha 18 anos e hoje ainda necessita de cirurgias para continuar viva. Os seus agressores passaram dois anos na cadeia.
 
Tal como Sonali, a famosa heroína de Déli que morreu em dezembro passado, defendeu-se dos seus agressores. O nível de violência exercido pelos seus cinco violadores, num autocarro em movimento, escandalizou a sociedade hindu, que protestou e exigiu o fim das agressões. Não participaram apenas os militantes e as feministas, também a classe média profissional e os estudantes marcharam na capital, em Mumbai e em uma dúzia de cidades.

O dia a dia da jovem estudante de fisioterapia de 22 anos, em coma num hospital, era transmitido ao vivo por emissoras de televisão e rádio de todo o mundo. Logo após a sua morte, com os cinco acusados detidos (um deles menor de idade), o seu pai e vários políticos pediram pena de morte para os arguidos.

Desde então, há nos meios de comunicação um debate sobre a agressão contra as mulheres, com as violações em primeiro plano. Paradoxalmente, algumas semanas depois, pelo menos oito adolescentes indianas foram violadas num internato para mulheres no estado de Orissa — caso que mereceu apenas alguns parágrafos em um dos diários nacionais em fevereiro.

Como explicar a frequência das violações (cuja incidência aumentou até 70% no sul da Índia nos últimos dois anos) e a extrema violência das agressões masculinas.
 
Sonali, que percorre o país defendendo vítimas como ela, acredita que em parte isso acontece porque as mulheres ainda acreditam estar indefesas, e luta para que se fortaleçam e aprendam defesa pessoal. “Se uma mulher ou uma jovem acredita ser frágil, talvez não consiga proteger-se ”, explica.

Boski Jain, jovem profissional do centro do país, e Abenla Ozükum, trabalhadora social indiana do nordeste, coincidem numa coisa: as formas de domínio masculino são antigas, os homens, na Índia, “têm visto as mulheres desde sempre como mercadorias, se considerando superiores e depreciando-as”, explica Ozükum.

Estigma de ser mulher

Aqui, as demonstrações físicas de afecto em público são escassas. Os jovens raramente dão as mãos e não se beijam nos parques ou centros comerciais. Os meios de transporte colectivo reservam, por lei, uma porção de lugares para as mulheres e as penas por delitos sexuais incluem a morte por enforcamento.

Por outro lado, os casos de agressões e abusos são comuns. Na rua e em casa, nos autocarros e nas escolas. “Talvez devessem torná-los impotentes pelo resto da vida, castigá-los com toda severidade”, afirma Boski Jain, de 25 anos.

No entanto, a possibilidade de contar com a polícia é insignificante. Há um ano, a revista Tehelka realizou uma reportagem escondida em diversas esquadras. Mais de doze oficiais explicaram frente a uma câmara que as mulheres quase sempre provocavam (ou desejavam) a violação. Talvez por isso o nível de condenações por violação é apenas 26% dos casos denunciados.

Alguns costumes masculinos

Pode ser pior: muitas vezes, sobretudo em comunidades ou famílias muito religiosas, independentemente de crenças, classe ou casta, as mulheres violentadas são obrigadas a casar com os seus agressores, como reparação pelo dano e para restituir sua honra, que de outra forma perderiam para sempre (junto com o respeito dos demais).

Ou poderia procurar-se a causa em parte no assassinato das recém-nascidas (na Índia, a lei proíbe que um ultrassom determine o sexo do feto para prevenir o aborto ou posterior assassinato). Ou nos casamentos arranjados que incluem crianças e adolescentes.

Talvez na falta de educação sexual nas escolas e lares, como aponta Abenla Ozükum, porque sem ela “é impossível mudar a mentalidade do povo”. Para Sonali Mukherjee, esse processo necessário levaria tempo “se começamos agora, mas o cenário seria mais favorável em 10 ou 15 anos”.

Mas as violações e a impunidade masculina não são exclusividade da Índia. Na África do Sul, por exemplo, uma jovem de 17 anos foi violada num bar de Soweto em dezembro, enquanto o seu namorado de Déli lutava pela vida. Ninguém no bar fez nada, nem mesmo chamou a polícia. Poderíamos mencionar a China, onde morrem o dobro de bebés meninas que neste país (cerca de 10 mil em 2010). Ou os Estados Unidos, onde uma mulher é violada por minuto...

Dados oficiais do governo indicam que em Bengala Ocidental houve pelo menos 30 mil denúncias de crimes contra mulheres em 2013, algo que a governadora Banerjee nega, “como se eu tivesse culpa das violações”.

A estatística das violações é de quase 25 mil por ano em toda a Índia (um a cada 20 minutos). Três de cada quatro violadores saem livres “e a prisão não ajuda porque seguem sendo parte de uma comunidade”, diz Sonali. “Deveriam ser condenados à prisão perpétua em completo isolamento, sem nem contato com seus familiares.”

Há algumas semanas, Sonali fez 29 anos. E Rubi Gupta, de 28, morreu no dia 21 de julho em um hospital na cidade de Bhopal, queimada com ácido pelo seu ex-namorado. Uma semana mais tarde, cinco jovens sequestraram uma criança de 12 anos na sua comunidade, violaram-na e abandonaram-na no caminho; não há ainda detidos. A lista de crimes e abusos parece interminável, as causas e as explicações também.

06 dezembro 2013

TEDxBelémWomen

Os Portugueses pioneiros da Globalização

(ou como fazer romance histórico com a matéria "politicamente incorrecta" dos Descobrimentos)

Sou uma contadora de histórias de longo fôlego, tinha de falar de mim e dos meus "sucessos" (tema do TED), mas interessava-me mais falar das minhas personagens, cujas vidas foram verdadeiramente extraordinárias. Porém a regra dos 20 minutos das TEDx é um garrote e faz acelerar e, por vezes, faz perder o fio à meada.


A escritora Deana Barroqueiro foi uma das oradoras do evento!
Sua apresentação acontece +/- a 1h 30 m do vídeo


The Portuguese, pioneers of Globalisation - by Deana Barroqueiro, starting at 1h 34m in this video


Thu Dec 5, 2013 10:25am EST — Thu Dec 5, 2013 2:00pm EST
              
"Breaking new worlds" is the theme for TEDxBelémWomen; an event organized by Elizabeth Canha and Maria Serina, both journalists in whose careers the business world and the women’s world met. Female speakers from different areas and a broad age spectrum will be sharing ideas and inspiring experiences that will not leave one untouched. Follow us through our site at http://www.tedxbelemwomen.com/ or on Facebook at https://www.facebook.com/tedxbelemwomen

02 dezembro 2013

The naked truth: Hollywood still treats its women as second class citizens

Research shows female stars are paid less, have fewer lines and spend more time with their clothes off than men.
- The Observer,
 Inequality: The Bottom Line. Click image to enlarge. Graphic: James Melaugh
 
By Monday morning, The Hunger Games: Catching Fire, the sci-fi adventure thriller starring Jennifer Lawrence, will have taken close to half a billion dollars in global ticket sales. A female-led blockbuster is rare in any year, and all the more so in one marked by box-office disappointments and industry turmoil.

Nevertheless the film's success is likely to intensify rather than diminish calls for greater sexual equality in film. For despite the success of women-led films such as The Hunger Games and Cate Blanchett's Oscar-tipped performance in Woody Allen's Blue Jasmine, or directors like Kathryn Bigelow and writers such as Lena Dunham – and most recently the taboo-busting French lesbian romance Blue Is the Warmest Colour – Hollywood remains stubbornly set in its ways regarding sexual equality.

The New York Film Academy has published a remarkably comprehensive study that demonstrates just that: enduring disparities are revealed in the number of speaking parts given to men and women; the relative number of roles requiring full or partial nudity also shows a stark difference; and the sexual divide in offscreen jobs and the gulf in earnings between male and female actors is laid bare.

In publishing the survey, the academy called for a discussion about why, when women comprise half of ticket-buyers and nearly half of directors entered at this year's Sundance Film Festival, their numbers fall away dramatically at the top end of the industry. "By shedding light on gender inequality in film, we hope to start a discussion about what can be done to increase women's exposure and power in big-budget films," its publishers state.

Examining the top 500 films from 2007 to 2012, the survey found one third of speaking parts are filled by women and only 10% of films are equally balanced in terms of roles. The average ratio of male to female actors is 2.25 to 1.

"Like in any big industry, change takes time," points out Dr Martha M Lauzen, executive director, Centre for the Study of Women in Television, Film & New Media at San Diego state university, California, whose research forms the basis of the academy study. "The film industry doesn't exist in a bubble. It's part of a larger society that tends to have biases and prejudices."

According to Lauzen, women comprised 18% of all directors, executive producers, producers, writers, cinema- tographers, and editors working on the top 250 domestic grossing films in 2012 – an improvement of only 1% since 1998. Counting directors alone, women accounted for only 9% – the same figure as in 1998. Lauzen says it is relevant to compare the number of women in positions of power in film, onscreen or off, to the number of women in leadership positions in Fortune 500 companies. "All of these are highly coveted, high-status positions – and when you're talking about those kinds of positions, they remain dominated by men."

The most surprising thing, Lauzen says, is the apparent lack of change. "A filmgoer might reference Hunger Games and think things must be OK. It's easy to be misled by a few high-profile cases. But you have to do the count; and the numbers show we're not seeing any change." According to Forbes, the 10 highest-paid actresses made a collective $181m (£110m) versus $465m made by the top 10 male actors. At last year's Academy Awards, 140 men were nominated compared with 35 women. There were no female nominees in directing, cinematography, writing or in several other categories.

When it comes to the silver screen itself the results of Lauzen's research are even more stark: 29% of women in the top 500 films wore sexually revealing clothes compared with only 7% of men; 26% of actresses appear partially naked, compared with 9% of men, and the percentage of teenage females depicted with some nudity has risen by a third since 2007. While those figures may be skewed by one film alone (Harmony Korine's hit teenage skin celebration Spring Breakers) the overall pattern of sex bias is unmistakable.

The casting of 50 Shades of Grey has been dogged by the reluctance among a series of potential male leads (including British hunk Charlie Hunnam, who accepted the part before dropping out over "scheduling conflicts") to get their kit off in a three-movie deal. At the same time, Adèle Exarchopoulos and Léa Seydoux, the stars of Blue Is the Warmest Colour, who were jointly awarded the Palme d'Or at the Cannes Film Festival, have spoken of their embarrassment at the excessive attention paid to the 20 minutes of sex in the three-hour movie. New York Times critic Manohla Dargis likened director Abdellatif Kechiche's filming to pornography. "Women tend be younger and are still expected to adhere to a higher standard of appearance," says Lauzen, whose studies have found filmgoers are more likely to know the marital status of a female character and occupation of a male. All of this feeds into stereotypes about the important parts of identity. For women, that is to be very young and look a certain way."

In her acceptance speech for an award for excellence in film, at Women in Film LA's annual Crystal+Lucy awards in June, actress Laura Linney witheringly described the overwhelmingly male ambience in the US film industry. When she first started, she said, she was astonished at the "enormous amount of time" men spent discussing the colour of her hair – a process that became "absurd and a complete waste of time".

"I soon realised that for the most part I was surrounded by men. As an actress in film, it is very easy to become isolated just due to the ratio of gender inequality that exists. Rarely do you have a scene with other women, very few women are on the crew, and what few female executives arrive tend to keep to themselves."

The success of individual women in film, whether Jennifer Lawrence in The Hunger Games, Cate Blanchett or Kathryn Bigelow, is often treated as a sign of progress, when, according to Lauzen and other critics, they are the exceptions that prove the rule. "The Hunger Games is just one film," says Lauzen. "The same thing happened when Bridesmaids came out, or when Kathryn Bigelow won her Oscar. People start talking about a 'Bridesmaids effect' or a 'Bigelow effect' – that these high-profile successes would radiate an effect to other women in the business."

But, she says, that's not the case. "Kathryn Bigelow's success may have helped her, but it didn't change the world because attitudes about gender or race or age are held on a very deep level. Old habits die hard. One of the reasons we haven't seen much change, is that it's not seen as a problem by people in positions of power – even by some women. Unless you perceive something as a problem you're not going to fix it."

26 novembro 2013

Telhado de vidro: Isabel Canha at TEDxFCTUNL 2013

 Isabel Canha, jornalista, é licenciada em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa. Iniciou a sua actividade profissional em 1988, como colaboradora da secção de Economia do jornal Semanário. Integrou a equipa fundadora da revista de negócios Exame, em 1988, e Fortuna, em 1991. Em 1996 transitou para a Executive Digest, onde exerceu funções de editora-chefe e no âmbito da qual desenvolveu o suplemento trimestral Executiva. Em Dezembro de 2000 tornou-se directora da Cosmopolitan.

In the spirit of ideas worth spreading, TEDx is a program of local, self-organized events that bring people together to share a TED-like experience. At a TEDx event, TEDTalks video and live speakers combine to spark deep discussion and connection in a small group. These local, self-organized events are branded TEDx, where x = independently organized TED event. The TED Conference provides general guidance for the TEDx program, but individual TEDx events are self-organized.* (*Subject to certain rules and regulations)

Publicado em 21/11/2013

25 novembro 2013

Violência doméstica: 33 mulheres morreram em 2013

Hoje é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres

Trinta e três mulheres foram mortas este ano pelos seus actuais ou ex-companheiros, segundo dados do Observatório de Mulheres Assassinadas, da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), a maioria em contexto de violência doméstica.

Os dados do Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA), a que a Lusa teve acesso, mostram que até ao dia 20 de Novembro registaram-se 33 homicídios e 32 tentativas de homicídio.

Já nos doze meses de 2012, houve 40 homicídios, 53 tentativas de homicídio, num total de 93 crimes.

No relatório do OMA consta que, do total de vítimas assassinadas, 58% mantinham uma relação de intimidade com o homicida, havendo também 15% de mulheres que já se tinham separado ou mesmo divorciado.

"Verifica-se assim que as relações de intimidade presentes e passadas representam 73% do total dos femicídios noticiados", lê-se no relatório.

Tendência que se mantém desde 2004, altura em que o OMA iniciou a elaboração dos relatórios anuais, sendo que, do total de 350 vítimas nestes 10 anos, 224 foram mortas pelo marido, companheiro, namorado ou no seio de outra qualquer relação de intimidade.

Fazendo uma caracterização da vítima, o trabalho da UMAR revela que este ano 43% das vítimas tinham entre 51 e 64 anos, logo seguido do grupo etário com mais de 65 anos (21%).

Já em relação aos homicidas, a maioria (58%) divide-se equitativamente entre o grupo etário com idades entre os 24 e os 35 anos e o grupo etário com mais de 65 anos.

"O grupo etário com maior prevalência é o dos homicidas com idades superiores a 50 anos (17), tal como registado nos anos de 2005, 2011 e 2012. Ao desdobrarmos este intervalo, contabilizamos oito homicidas com idades compreendidas entre os 51 e os 64 anos e nove com idades superiores a 65 anos", diz a UMAR.

Março foi o mês no qual ocorreram mais femicídios, com nove crimes, logo seguido pelo mês de Junho, com cinco, e pelos meses de Julho e Outubro, com quatro mortes em cada um.

A maior parte destes homicídios ocorreram no distrito de Lisboa (12), Setúbal (4) e Leiria (4).

"Atendendo-se à suposta motivação/justificação verificamos que, em 2013, grande parte dos femicídios praticados e registados pelo OMA ocorreu num contexto de violência doméstica já conhecida (28%)", refere.

Nesse sentido, o OMA aponta mesmo ter verificado que 61% das mulheres assassinadas viviam num contexto de violência doméstica.

Prova disso está no facto de 73% dos homicídios terem ocorrido na própria casa da vítima.
Por outro lado, em 15% das ocorrências, havia já uma denúncia feita.

Dos 33 homicídios registados, a OMA diz que apenas em relação a dois houve decisão judicial, sendo que o tempo médio entre a ocorrência do crime e o acórdão é de cerca de onze meses.

Hoje assinala-se o Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência Contra as Mulheres.

Lusa/SOL

Portuguesas envolvidas em casamentos por conveniência e bigamia no Reino Unido

Lusa  27/10/2013    
 
Projecto de lei britânico quer combater casamentos por conveniência. Em 2012, foram denunciados 1891 casos suspeitos.

Em apenas dois dias, uma portuguesa foi condenada por bigamia e outra presa por suspeita do mesmo crime devido ao envolvimento em casamentos por conveniência com imigrantes ilegais nigerianos no Reino Unido. Estes dois casos fazem parte de uma realidade mais alargada que chega a envolver redes criminosas. O parlamento do Reino Unido está agora a discutir um projecto de lei que pretende reduzir o risco de casamentos por conveniência usados para facilitar a imigração ilegal.
 
Um casamento é considerado por conveniência quando um cid
adão não europeu casa com outro de um país da União Europeia com a intenção de obter um visto de residência de longa duração, bem como o direito de trabalhar e reclamar apoios sociais.
 
Actualmente, os noivos têm de entregar os papéis para o casamento 15 dias antes na igreja ou conservatória do registo civil, cujos dados serão afixados em edital, mas o governo quer estender este período para 28 dias e, em alguns casos, para 70 dias.

O objectivo é permitir às autoridades investigar as suspeitas levantadas pelos conservadores ou sacerdotes. “Os casamentos por conveniência são um alvo fácil há muito tempo para imigrantes que procuram contornar as nossas leis de imigração, muitas vezes com a ajuda de redes criminosas”, afirmou recentemente o secretário de Estado para a imigração, Mark Harper.

O ministério do Interior britânico calcula que, todos os anos, quatro a 10 mil pedidos de visto de residência no Reino Unido são feitos com base em casamentos por conveniência. Só em 2012, foram denunciados 1891 casos suspeitos, indicam números oficiais.

O envolvimento de portugueses tem sido notado pelos serviços consulares, tendo em 2011 o então cônsul, José Macedo Leão, afirmado à agência Lusa de ter tido conhecimento de “pelo menos vinte”, acrescentando que nem todos lhe eram comunicados pelas autoridades britânicas.

Quatro casamentos em dois anos

Tânia Aniceto, de 25 anos, foi condenada a 18 de Outubro a quatro anos de prisão por bigamia e por auxílio à imigração ilegal no Reino Unido após casar com quatro nigerianos no espaço de dois anos.

A portuguesa só foi apanhada porque o seu nome e outro falso que também usava, Sandra Monteiro, levantaram suspeitas pois apareciam repetidos nas candidaturas dos homens para obter autorização de residência.

Durante o julgamento confessou que cobrava 400 libras (470 euros) por cada casamento, que tiveram lugar entre Maio de 2010 e Junho de 2012 em quatro locais diferentes: Brent, Lewisham, Rochdale e Southwark.

Uma acusação de posse de documentos de identificação falsa foi retirada, mas Tânia Aniceto acabou por declarar-se culpada de cinco crimes de auxílio à imigração ilegal e quatro de bigamia.

Apenas dois dias antes, a 16 de Outubro, uma outra portuguesa de 22 anos foi detida em flagrante a casar com um imigrante nigeriano de 32 anos, em Harrow, no norte de Londres, aguardando agora julgamento.

A polícia interrompeu a cerimónia numa conservatória do registo civil e confirmou as suspeitas de irregularidade quando questionaram cada um individualmente e perceberam que pouco sabiam sobre o respectivo noivo.

Numa reportagem transmitida na Sky News, os agentes que conduziram a operação disseram suspeitar que a mulher, cuja identidade não foi revelada, já tinha casado antes nas mesmas circunstâncias.

No últimos meses, foram vários os portugueses apanhados pelas autoridades em casamentos falsos: em Setembro, Naydyne Botelho, de 27 anos, e Cátia Lima, de 32 anos, foram condenadas a 12 meses e 16 meses de prisão, respectivamente. Ambas eram residentes em Londres mas foram detidas ao tentarem casar na Irlanda do Norte com dois homens do Bangladesh.

Rede criminosa

Em Novembro do ano passado, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) desmantelou uma rede criminosa de casamentos de conveniência, auxilio à imigração ilegal e falsificação de documentos, numa operação em simultâneo em França e no Reino Unido.

Segundo o SEF, esta rede criminosa dedicava-se a angariar homens e mulheres portugueses “em situação económica precária” para casarem com cidadãos estrangeiros em vários países europeus a troco de avultadas somas em dinheiro, entre 15 mil a 20 mil euros.

Os casamentos realizavam-se em países como Espanha, França, Suécia, Reino Unido, Dinamarca e Alemanha e a maioria dos “noivos” era oriunda de países como a Índia, o Paquistão ou o Bangladesh, mas também da Nigéria.

Portuguesa condenada em Londres por envolvimento em casamentos falsos

Uma portuguesa foi, esta segunda-feira, condenada por um tribunal em Londres, Inglaterra, a dois anos de prisão por ter participado num casamento falso e colaborado na organização de outros quatro entre mulheres portuguesas e homens do Bangladesh.

Ao declarar a sentença no tribunal criminal de Snaresbrook, no norte da capital britânica, o juiz Inigo Bing considerou, todavia, que Maria Marques, de 47 anos, teve um "papel secundário por não falar inglês".

Ainda assim, considerou-a cúmplice de "exploração fraudulenta da lei de imigração britânica que permite aos homens do Bangladesh adquirir um visto de residência se casarem com cidadãos de países da União Europeia".

O "papel principal" na organização dos casamentos pertenceu ao marido, de 22 anos, também ele do Bangladesh, um "homem de negócios, experiente, bem-educado e persuasivo", descreveu o juiz. Mohamed Tanin foi assim condenado a quatro anos de prisão, após os quais arrisca, segundo a legislação britânica, a ser deportado.

Ambos já cumpriram cerca de quatro meses de prisão preventiva, que irá contar para o tempo que irão passar na prisão, e podem pedir a liberdade condicional após concluída metade da sentença.

Portuguesas casam por mil euros para legalizar estrangeiros na UE

Dificuldades económicas, desemprego e outros problemas de vidas difíceis levam mulheres portuguesas a cair nas redes ilegais de falsos casamentos para que os imigrantes possam obter residência e trabalho no espaço europeu. Os imigrantes pagam porque precisam de papéis. Redes ganham a maior fatia do dinheiro e alargam raio de ação aos países nórdicos e do Leste.

Investigação levada a cabo pelo DN:

Casaram… e viveram longe um do outro para todo o sempre
O ‘sim.’ Portuguesas “vendem” o estado civil para legalizar estrangeiros. E até podem casar em vários países e continuar solteiras por cá. Mil, dois mil ou mesmo três mil euros parece pouco, mas são quatro meses de salário mínimo, o salário que não têm. Os noivos querem viver no espaço Schengen e chegam a pagar 25 mil euros. No negócio das redes, ganham os cabecilhas que dão “gorjetas” a angariadores, testemunhas, intérpretes e funcionários. Estendem, agora, os tentáculos à Europa de Leste comunitária. Os homens também casam para legalizar estrangeiras mas muitos acreditam que elas os amam.

CÉU NEVES (textos)

“Eles prometem mundos e fundos e caímos que nem umas patinhas se estamos mesmo a precisar. Estava na miséria autêntica”, justifica Cristina, de 44 anos. Tinha e tem dois filhos e o neto a cargo. “Eles”, os cabecilhas, acenaram-lhe com dois mil euros para se casar com um imigrante ilegal. Garantiram-lhe que ninguém da sua família precisava de saber, que não ia ter problemas com a polícia e que o futuro marido nunca a incomodaria. Hoje lamenta-se: “Quando uma pessoa está no desespero é capaz de fazer tudo!”

Desespero é não ter trabalho, ter dívidas que não se conseguem pagar, não ter dinheiro mas ter vícios. Cinco anos depois é a explicação que Cristina dá para estar envolvida numa rede de casamentos por conveniência ou casamentos brancos, como são nomeados. Acabou detida pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e já muitos ficaram a saber da união de mentira com um homem cujo nome nunca conseguiu pronunciar.

Duas das filhas também casaram através da mesma organização. “Esta e a mais velha [24 anos], que não sei onde anda” “Esta”, é Rosana, de 23. Sentadas num banco de um jardim dos subúrbios de Lisboa, mãe e filha contam como se deixaram levar por algumas centenas de euros. Percebe-se nas entrelinhas que continuam a ser contactadas por elementos que organizam estes casamentos e que continuam a precisar de dinheiro… A mãe tem um trabalho temporário, a filha está desempregada. As duas vivem no concelho da Amadora e foram casar a Vila Nova de Gaia. “É assim”, explica Rossana, “os das redes perguntam se queremos casar e nós perguntamos ‘quanto’? Depois dizem-nos quem são os maridos. Prometeram-nos dois mil euros por casamento, mas nunca deram isso.”

“Os das redes”, em regra, recrutam as mulheres nos bairros periféricos e pobres das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, basta que tenham um cartão de identidade europeu. Portuguesas de baixa condição socíoeconómica e em situações de extrema vulnerabilidade, solteiras, viúvas ou divorciadas. Os elementos da organização, normalmente membros das comunidades imigrantes legalizados no País, encarregam-se de fazer a documentação e acompanhar as mulheres aos organismos públicos se for necessária a presença delas para obter os documentos.

As noivas têm de se deslocar aos serviços para colocar a apostila nos assentos de casamento, um certificado de autenticidade dos documentos públicos para apresentação no estrangeiro. Têm de fazer o passaporte, que é a identificação que usam no estrangeiro por não referir o estado civil, para atestar uniões de facto, regularizar o marido, comprar ou arrendar casa, etc. Têm de se deslocar ao país onde o noivo vai pedir o título de residência.

As mulheres viajam com total desconhecimento de com quem vão e para que sítio se deslocam. E, salvo os procedimentos obrigatórios para o casamento e a regularização do imigrante, continuar na sua rotina diária fora destes encontros. Nem sequer atualizam o estado civil nos documentos oficiais porque este é um segredo bem guardado. Os maridos não ficam em Portugal.

Elas acreditam que se podem divorciar passados três anos ou quatro, pensam que isso acontecerá logo que o imigrante se legalize através do casamento com uma cidadã comunitária E têm de estar disponíveis para as deslocações, já que as quantias prometidas lhes são pagas em parcelas. Muitas queixam-se de não obter o acordado, que lhes pagaram apenas mil ou 1500 euros, mas há quem receba três mil euros.

“Vítimas? Olhe, acabamos por ser nós. Aproveitam-se um bocado da nossa falta de dinheiro e da aflição das mulheres por não terem trabalho”, assegura Carla Marisa, uma das noivas envolvidas no processo de Gondomar. Esta rede (PJ) e o caso Binder (SEF) foram os primeiros megaprocessos de casamentos por conveniência no País.

As portuguesas

“Oriundas de bairros carenciados, prostitutas ou toxicodependentes, em alguns casos com vários filhos a cargo e até a viver com outro homem”, assim se descrevem no processo Binder-Bind as portuguesas que aceitam casar. A rede realizou, entre 2007 e 2010, 175 casamentos (os provados) entre portuguesas e indostânicos (sobretudo paquistaneses e indianos) . São as Lilianas, as Carias, as Vânias, as Marlenes, as Isas, asTatianas, as Cristinas, as Paulas, as Sandias, as Patrícias, as Raquéis, as Mónicas, as Martas, as Saras, as Márcias e as Filipas, as Anãs e as Marias, nomes compostos e muitos deles conjugados entre si.
“Tudo nomes pobres, não é?” observa Carla Cristina, outras das noivas de Gondomar enquanto espera para ser ouvida pelos juizes. Não são só os nomes, também as histórias de vida são muito semelhantes.

“Não tinha a noção do que estava a fazer, acho que ninguém tem. Fui várias vezes a Espanha (três a Barcelona) e só depois me apercebi da gravidade da situação, a verdade é que o dinheiro que me deram ajudou imenso”, conta Carla Marisa. Não teve medo de viajar com desconhecidos? “Pensei nisso e avisei uma amiga, mais ninguém soube. Telefonava-lhe todos os dias quando estava fora. Tinha 38 anos na altura, hoje tem 42, três filhos e continua sem emprego.

Deslocou-se a Espanha com outras noivas, onde abriu contas bancárias e entrou em repartições públicas espanholas que não consegue identificar. Da cerimónia lembra-se de ser uma confusão, o marido nunca mais o viu. “Estavam 18a 19pessoas na conservatória e o meu casamento não estava marcado. Depois ele [um membro da rede] entrou lá para dentro e voltou a dizer que estava tudo bem, que podíamos casar.”
(...)

Os estrangeiros

As redes organizadas a operar em Portugal trabalham com imigrantes ilegais, quer residam na Europa ou ainda estejam nos países de origem, oriundos sobretudo do Paquistão, da índia e do Bangladesh, de Marrocos, um ou outro do Nepal. Há também nigerianos mas esses operam no estrangeiro. Depois há todo um leque de imigrantes que combinam uniões, como os brasileiros, mas a maioria não tem por detrás uma rede organizada São casamentos individuais, explica Luísa Maia Gonçalves, investigadora do SEF e ex-diretora da Direção Central de Investigação e Análise de Informação (DOPAI), sendo mais difícil detetar as fraudes. Quando se descobre cada uma destas uniões resulta num inquérito e o SEF já ultrapassou os 300 no final de2012. A GNR, através do Núcleo de Investigação Criminal do Destacamento Territorial de Vila Real, desmantelou em janeiro de 2012 uma rede de casamentos fictícios. Catorze meses de buscas culminaram na constituição de dois arguidos: um português e uma espanhola Angariavam homens para casarem em Portugal e em Espanha com estrangeiras, maioritariamente brasileiras. As “vítimas” acabam por ser os portugueses que se convencem ter encontrado o grande amor, quando, afinal, servem apenas o objetivo de quem se quer legalizar”, refere Carlos Patrício, coordenador do Gabinete de Estudos e Planeamento e Formação do SEF. Mais recentemente, também o casamento gay é expediente para a legalização. Voltar às histórias de Cristina e da filha Rossana é falar das vidas de centenas de mulheres recrutadas pelas redes de imigração ilegal. É comum a mãe levar a filha, a irmã levar a irmã e a prima, a amiga levar a amiga ou uma simples conhecida. O contacto faz-se através do passa-palavra, numa ou outra situação por anúncios duvidosos. Há quem tenha procurado emprego e receba uma proposta de casamento.
(...)

É difícil perceber como é que os funcionários das conservatórias e dos registos civis não desconfiam. Os sinais de que são casamentos arranjados testemunham-se nos tribunais. Transformam-se em certezas para meter na prisão sobretudo os cabecilhas das redes, já que parte dos restantes elementos têm sido absolvidos ou apanham pena de prisão suspensa. Sinais que passaram despercebidos à conservadora de Gondomar que realizou 249 casamentos entre portuguesas e indostânicos de 25 de novembro de 2007 até 9 de janeiro de2009, dia em que foi detida. O tribunal de primeira instância obteve a prova de que 122 casamentos era falsos mas acabou por a absolver.

Casamentos diferentes com as mesmas testemunhas e intérpretes, marcados no dia e realizados sucessivamente, na maioria das vezes fora do horário de expediente ou ao sábado. Casais e testemunhas vestem roupa prática. Os noivos conhecem-se nas conservatórias e nem sequer fingem contactos anteriores. Não têm uma língua comum. Não trocam alianças e quando as trocam são emprestadas ou em pechisbeque. Não selam o casamento com o beijo da praxe e cada um vai para seu lado.

Ir casando por toda a Europa e continuar solteira

Deslocalização. Redes avançam na Europa à medida que são detetadas e mantêm recrutamento no País. “Xeque ao Rei” foi uma operação europeia que deteve 26 pessoas, em Portugal, França e Reino Unido. E também há portugueses condenados lá fora.

Os casamentos realizados no País entre nacionais e estrangeiros têm diminuído nos últimos anos, sobretudo entre portuguesas e cidadãos da índia, do Paquistão e do Bangladesh. Não quer dizer que sigam a tendência dos tempos nem que as redes tenham fechado a atividade em Portugal, diz o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Estas organizações continuam a recrutar mulheres, desta vez para casar ou simular uniões de facto em países do espaço Schengen, agora na Europa do Leste. E elas continuam “solteiras”. A mancha geográfica onde atuam as redes de casamentos brancos abrange cada vez mais países europeus, progredindo no terreno à medida que vão sendo detetadas pelas polícias nacionais. Os cabecilhas destas associações criminosas têm tentáculos em zonas estratégicas. Muitos deles são estrangeiros integrados nesses países e com facilidade de circulação que recrutam sobretudo mulheres, mas também homens, embora em muito menor número. Existem, também, acordos matrimoniais entre casais, tendo em vista a legalização de um deles, mas não têm por detrás uma rede e são mais difíceis de provar. Casamentos heterossexuais e, com a nova lei, de homossexuais.

Ver mais em: http://www.asjp.pt/2013/11/24/portuguesas-casam-por-mil-euros-para-legalizar-estrangeiros-na-ue/

23 novembro 2013

“Escravatura moderna” em Hong Kong

É assim que a Amnistia Internacional qualifica a situação de muitas empregadas domésticas na região vizinha. O título do estudo apresentado por aquela organização é elucidativo: “Exploradas pelo lucro”.
 
A Amnistia Internacional (AI) qualificou ontem de “escravatura moderna” a condição em que vivem e trabalham milhares de empregadas domésticas em Hong Kong.
As jovens são exploradas pelas agências de recrutamento atraídas pela promessa de altos salários, afirma a organização de defesa dos direitos humanos no mais recente relatório publicado na antiga colónia britânica.
 
Na realidade, refere a AI, as jovens mulheres vêem-lhes confiscados os seus documentos de identificação e são-lhes extorquidas avultadas somas por essas mesmas agências pelas suas indignas condições de trabalho.
 
O estudo, sob o título “Exploradas pelo lucro”, assinala como as agências de recrutamento restringem a sua liberdade de movimentos, recorrendo ao uso de violência física e doméstica, submetendo-as a longas jornadas de trabalho ou limitando-lhes a comida.
 
Segundo o relatório, a maior parte das mulheres entrevistadas afirmou que os seus documentos de identificação se encontram nas mãos das agências ou das famílias que as contratam, enquanto um terço disse não ter autorização para sair das casas para as quais trabalham.
 
“A partir do momento em que as mulheres aceitam assinar o contrato para trabalhar em Hong Kong, ficam presas numa rede de exploração que, em alguns casos, se assemelha à escravatura moderna”, sublinhou Norma Kang Muico, especialista de direitos dos imigrantes da Ásia-Pacífico, à Amnistia.
 
Segundo os dados da AI, uma em cada três inquiridas não tem autorização para sair da casa do patrão e inúmeras afirmaram sofrer de fome, de longas jornadas de trabalho – em média 17 horas por dia –, sem um dia de descanso, subsistindo com salários miseráveis.
 
Há ainda vários relatos de violência – psicológica ou física, incluindo abusos sexuais – de acordo com o relatório da AI, que inclui depoimentos.
“Bateu-me por trás e arrastou-me para o quarto. Fechou-me à chave e continuou a agredir-me e a dar-me pontapés. Acabei com marcas no corpo todo e a sangrar”, disse à AI uma das vítimas maltratadas pela família que a contratou.
 
Outra vítima, de 26 anos, proveniente de Jacarta, maltratada fisicamente com regularidade, contou um dos episódios: “Uma vez a dona da casa mandou os dois cães morderem-me enquanto ela filmava com o seu telemóvel. Fui mordida uma dúzia de vezes. Ela não parava de ver [o vídeo] e de se rir”.
O relatório acusa a Indonésia e Hong Kong de passividade relativamente ao dossier.
 
O estudo tem por base entrevistas realizadas a 97 empregadas domésticas indonésias, cujos resultados foram cruzados com os de uma sondagem levada a cabo pela União de Trabalhadores da Indonésia, a qual contou com uma amostra de aproximadamente mil mulheres.
 
Actualmente, Hong Kong conta com cerca de 300 mil empregadas domésticas, a maioria das quais oriundas da Ásia, sobretudo das Filipinas e da Indonésia.

Ponto Final | Novembro 22, 2013

Três mulheres escravizadas 30 anos em Londres

Quando vejo referências mordazes e moralistas, nos media portugueses e internacionais, à prática da escravatura por Portugal, no tempo dos Descobrimentos (corrente e aceite em todo o Mundo, nessa época), fico pasmada por ver como na Europa civilizada - Áustria e Londres, por exemplo - ou na América, em pleno Século XXI, são cada vez mais frequentes as descobertas de casos repugnantes de sequestro e escravatura, incluindo a sexual, que se arrastam por décadas, em bairros supostamente normais, povoados de gente aparentemente normal.
Durante 30 anos, 3 mulheres - uma malaia, uma irlandesa e uma britânica (que parece ter nascido na casa  e nunca ter posto os pés na rua) - viveram sequestradas e em regime de puro terror, numa casa de uma rua comum, no sul de Londres.
Segue o artigo do Público:

Quais terão sido “as algemas invisíveis” que mantiveram três mulheres escravas 30 anos em Londres?
, Público, 22/11/2013
                                 
As mulheres terão sido sujeitas a maus tratos “físicos, psicológicos e mentais",
disse o detective Kevin Hyland
 
A Scotland Yard diz nunca ter lidado com nada como este caso. A mais jovem das mulheres, de 30 anos, nunca terá saído de casa.

A polícia britânica está a tentar compreender quais terão sido “as algemas invisíveis” que mantiveram presas durante mais de 30 anos três mulheres que viviam como escravas “numa casa banal numa rua normal” em Lambeth, no Sul de Londres. “Nunca vimos nada assim”, diz um comunicado da Scotland Yard.

As três mulheres estão profundamente traumatizadas e é difícil interrogá-las para compreender a história de uma malaia de 60 anos, uma irlandesa de 57 anos e uma britânica de 30 anos. “Precisamos de tempo para trabalhar com as três mulheres, que estão muito traumatizadas. Pensamos que a mais jovem nunca esteve em contacto com o mundo exterior”, relatou o detective Kevin Hyland, falando da mulher britânica.

Eram mantidas em cativeiro por um casal de sexagenários, que não é de nacionalidade britânica. O casal, que está há muitos anos no Reino Unido, foi detido na quinta-feira e foi ontem libertado, sob caução, até Janeiro, enquanto a polícia continua a investigação pela acusação de trabalhos forçados e esclavagismo.

As autoridades estão a investigar se a mulher mais jovem, que se crê ter nascido dentro da casa, será filha da irlandesa e do suspeito de 67 anos, que as mantinha em cativeiro.

Os dois membros do casal, ambos de 67 anos, foram presos na década de 1970, por suspeita de violações da lei da imigração e também em relação com um caso de escravatura e servidão doméstica, avançou a polícia. Este caso evoca outros de longos sequestros como os das três mulheres raptadas por Ariel Castro, em Cleveland, Ohio (EUA) ou de Elisabeth Fritzl, mantida em cativeiro pelo próprio pai, na Áustria.
 
A libertação das três mulheres já ocorreu a 25 de Outubro, depois de a irlandesa ter visto uma reportagem na televisão em que aparecia Aneeta Prem, fundadora da organização não-governamental Freedom Charity, que luta contra os casamentos forçados. Aparecia no ecrã um número de telefone para pedir ajuda, e a irlandesa reuniu coragem para ligar, a 18 de Outubro.

Não foram vítimas de tráfico

Estas mulheres não são vítimas de tráfico humano, diz o Guardian, e por isso a polícia não está à procura de mais vítimas. “O que descobrimos é um cenário complicado e perturbante de controlo emocional que dura há muitos anos; lavagem ao cérebro seria a forma mais simples de o definir”, disse o comandante Steve Rodhouse, da Scotland Yard, citado pelo diário britânico.

A mulher mais velha já vivia no Reino Unido e estava na casa dos suspeitos há mais de 30 anos. A irlandesa terá sido sequestrada pelo casal. E a mais jovem poderá ter nascido naquela casa, sem nunca ter tido contacto com o mundo exterior. Todas terão sido sujeitas a maus tratos “físicos, psicológicos e mentais”, adiantou o detective Kevin Hyland.

A polícia revelou que as mulheres podiam sair de casa mas sempre acompanhadas e que, eventualmente, se trata de alguma espécie de culto, uma vez que o controlo emocional era total. Em casa, eram obrigadas a fazer determinadas tarefas, sempre supervisionadas.

Após o telefonema para a Freedom Charity, outros se seguiram, para ganhar a confiança das mulheres, até combinar um dia em que elas pudessem sair da casa pelo seu próprio pé – o que aconteceu a 25 de Outubro. “Quando nos encontrámos, lançaram-se nos meus braços, a chorar, e agradeceram-me por lhes ter salvo a vida. Houve muitas lágrimas, foi muito emocionante”, contou Aneeta Prem à televisão britânica ITV.

Escravatura moderna

O caso é chocante e é inédito por ter durado tanto tempo, mas a escravatura, abolida quase há 200 anos, continua a existir na Europa. Ainda a 23 de Outubro, recorda a AFP, um octogenário e a sua esposa foram condenados no Reino Unido a penas de 13 e cinco anos de prisão, por exploração e violação durante dez anos de uma jovem paquistanesa surda e muda.

A história das três mulheres “é horrível”, disse à BBC Andrew Wallis, presidente da associação Unseen (sem serem vistos). “Mas apenas ilustra um problema que se estende ao mundo inteiro.” No mês passado, uma organização não-governamental britânica calculou entre 4200 e 4600 o número de vítimas, no Reino Unido, de alguma forma de escravatura moderna, como trabalho forçado, tráfico de seres humanos e casamentos forçados.

“É preciso compreender que estes casos não são raros. A escravatura moderna é uma realidade e existe no Reino Unido”, alertou Frank Field, vice-presidente da Fundação contra o Tráfico de Seres Humanos.

18 novembro 2013

“Como podemos pedir ajuda se não entendemos a lei?” - Macau

Salários abaixo do índice mínimo de subsistência, horários sobrecarregados, ausência de folgas e férias, e até agressões e violações. Seis empregadas domésticas indonésias estiveram ontem na sede da Associação Novo Macau para falar das suas dificuldades laborais. Os seus depoimentos vão integrar o relatório sobre direitos humanos que a associação vai entregar à ONU.
Inês Santinhos Gonçalves

Um salário mínimo para as empregadas domésticas fixado por lei seria essencial, defende a Peduli. E a associação de defesa dos direitos dos trabalhadores indonésios não pede muito: 3500 patacas por mês para as trabalhadoras que vivem em casa dos patrões e 4200 para as que vivem fora. Hoje, dizem, o salário mais comum é de 2800 patacas mensais, mas as iniciantes recebem muitas vezes 2500.
O Governo está actualmente a preparar um diploma para definir o salário mínimo. A consulta pública, que terminou na sexta-feira, dava vários valores à escolha, sendo o mínimo 23 patacas por hora ou 4784 por mês, e o máximo possível 30 patacas por hora ou 6240 por mês.

Sete membros da Peduli – seis eram empregadas domésticas – estiveram ontem na sede da Associação Novo Macau (ANM), onde falaram das suas condições laborais e das dificuldades que enfrentam como trabalhadores migrantes. A ANM conta apresentar em meados de Dezembro o seu relatório sobre os direitos humanos em Macau à ONU – este ano, pela primeira vez, vai ter um capítulo dedicado aos direitos das minorias, que incluirá os trabalhadores migrantes e a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays Bissexuais e Transexuais).

“A ONU pediu ao Governo de Macau para entregar um relatório até Março do próximo ano. A protecção dos trabalhadores migrantes foi pedida pela ONU mas ainda não recebemos informação do Governo sobre isso. Queremos receber relatos na primeira pessoa para podermos incorporar no relatório. Queremos proteger os trabalhadores migrantes de serem explorados”, explicou o presidente da ANM, Jason Chao.

Não é só a questão salarial que preocupa estas trabalhadoras. São também as agências de emprego que cobram cerca de sete mil patacas sem garantias de encontrarem um trabalho e ficam com os passaportes das clientes enquanto elas permanecerem no território. “Diferentes agências têm formas diferentes de levar dinheiro, mas todas levam. Não há agências que não levem dinheiro”, comentou George Young, um dos responsáveis da Peduli.

A regulamentação que obriga os trabalhadores a voltarem ao país de origem durante meio ano quando expira a validade do visto de trabalho é outro dos pontos que desagrada às empregadas domésticas, que só podem mudar de emprego quando o seu contrato chega ao fim.

As seis mulheres que ontem estiveram na sede da Novo Macau vivem todas em casa dos patrões, um trabalho que descrevem como ininterrupto. Muitas disseram não ter sequer uma folga por mês nem horas de descanso suficientes. “Às vezes vamos para a cama à meia-noite e acordamos às 6h”, conta uma. “Quando os patrões estão de férias e vão para cama tarde, também temos de ir”, acrescenta outra. O trabalho em dias de feriado é frequente.

O trabalho intenso torna a distância das famílias ainda maior. Muitos patrões, conta Young, proíbem as empregadas de usar o seu próprio computador em casa para não gastarem electricidade. “Não vou a casa há três anos”, diz uma das mulheres. Na associação há casos de quem não veja a família há sete anos.

A liberdade religiosa também fica comprometida: “O meu patrão permite-me rezar em casa, mas o anterior não. Alguns patrões não permitem que rezemos em casa e temos de o fazer na rua”. As queixas à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais ficam pendentes. “Pedem-me sempre provas. Como podemos provar? Como podemos pedir ajuda ao Governo se não entendemos a lei?”, lança Young. “O Governo não controla as agências. Não temos cópias dos contratos nem os passaportes”, acrescenta.

Além das questões laborais, há também casos de maus tratos. Entre este grupo de mulheres, os abusos nunca foram físicos, mas garantem que outros membros da associação já foram vítimas de situações “muito graves”. Uma empregada doméstica chegou mesmo a ser violada. “Elas têm medo. No nosso país a violação é um pecado, elas têm medo de falar disso. É preciso provar. Como podemos provar? Podemos ir ao consulado da Indonésia e eles arranjam um bilhete de volta a casa. É o que se pode fazer”, descreve George Young.

Doméstica mas não familiar

A segunda parte da sessão foi dedicada à comunidade LGBT, onde o diploma sobre a violência doméstica dominou o debate. Representantes da Rainbow Macau e da recém-criada Associação de Educação de Género de Macau falaram da importância de manter os casais do mesmo sexo sob a protecção do futuro diploma.

O problema, segundo lhes foi explicado pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), é lexical. “Em Macau entendem que ‘doméstico’ se refere à família [e não a pessoas que coabitam] e a família é [entendida como sendo gerada] entre um homem e uma mulher”, aponta Jason Chao. A sugestão das três associações é que, à semelhança do que foi feito em Hong Kong e Taiwan, se evite o termo ‘família’, de modo a ser mais inclusivo.

Esta proposta foi apresentada ao director da DSAJ, André Cheong, na passada sexta-feira, que prometeu estudar o assunto, diz Chao. No entanto, o presidente da ANM salienta que, se acordo com o Instituto de Acção Social (IAS), foi a própria DSAJ que sugeriu remover a referência aos casais do mesmo sexo.

“Nos nossos encontros com o IAS, disseram-nos que a inclusão dos casais do mesmo sexo foi sugerida por assistentes sociais da linha da frente, por terem lidado com casos [de violência]. Se é assim, como podem não ajudar os LGBT?”, criticou Anthony Lam, presidente da Rainbow Macau.

“Não queremos uma lei específica para combater a descriminação. Queremos igualdade. Sem incluirmos os casais do mesmo sexo na legislação sobre violência doméstica, não podemos falar de igualdade”, rematou Jason Chao.

Ponto Final - Macau, 18 de Novembro 2013

15 novembro 2013

Canadá desmantela rede mundial de pedofilia

Canadá desmantela rede mundial de pedofilia; 348 pessoas presas
AFP - Agence France-Presse

Publicação: 14/11/2013 22:40 Atualização: A polícia canadense anunciou nesta quinta-feira à noite ter desmantelado uma vasta rede de pedofilia internacional, ao término de uma investigação envolvendo pelo menos 348 pessoas ao redor do mundo, incluindo padres, professores, policiais, médicos e enfermeiras.

A investigação em quase 50 países levou à prisão de seis autoridades públicas (policiais ou juízes), nove religiosos, 40 profissionais do ensino, três famílias de acolhimento e nove médicos e enfermeiras.

Dos 348 detidos, 108 foram Canadá, 76 nos Estados Unidos, e 164 em outros países, como Brasil, Suécia, Noruega, Espanha, Irlanda, Grécia, Japão, Argentina, Austrália e África do Sul - revelou a polícia de Toronto.

Na investigação aberta em 2010, a polícia prendeu um morador de Toronto em maio passado, apresentado como o cérebro da rede. Ele foi acusado de compartilhar conteúdos de caráter pedófilo.

A inspetora Joanna Beaven-Desjardins explicou que, em outubro de 2010, seu serviço de luta contra a exploração sexual infantil entrou em "contato com um homem na Internet que compartilhava imagens de crianças pequenas vítimas de abusos sexuais".

Ao todo, 386 vítimas menores foram "tiradas das exploração sexual", mas "suas vidas foram transformadas para sempre", declarou o inspetor-assistente Gerald O'Farell.

Um canadense de 42 anos, contra quem pesam 11 acusações, abriu em Ontário um "site", a partir do qual ele vendia e divulgada fotos e vídeos de atos sexuais entre adultos e crianças.

"Os agentes encontraram milhares de imagens e de vídeos, mostrando atos sexuais horríveis com crianças muito novas", afirmou Joanna Beaven-Desjardins, em uma entrevista coletiva.

Os investigadores também conseguiram acessar um volume significativo de arquivos nos computadores da empresa do suspeito, atingindo 45 terabytes. A receita gerada por essa empresa passava de US$ 4 milhões.

"É a primeira vez, no Canadá, que uma pessoa é acusada de fazer parte de uma organização criminosa em relação à pornografia juvenil", declarou a inspetora.

A polícia informou que o suspeito pagava adultos para filmar cenas pedófilas no Leste Europeu antes de comercializá-las em sua página na Internet.

Para Gerald O'Farrell, a cooperação policial internacional é o meio mais seguro para "identificar, rastrear e combater os que exploram crianças sexualmente".

O inspetor-assistente deu alguns exemplos das pessoas investigadas.

Entre elas, há um advogado que também é treinador de um time juvenil de beisebol no estado de Washington, no noroeste dos Estados Unidos. Esse homem admitiu ter produzido mais de 500 vídeos com crianças de menos de 16 anos.

Em outro caso, um educador do Maternal que trabalhava no Japão também se declarou culpado pela produção de material de teor pedófilo.

Os investigadores mencionaram ainda o caso de um oficial de polícia do Texas.

No uganda muçulmano, a esposa pode servir de aposta... como o carro

Em pleno Século XXI, em países de credo muçulmano, onde vigora a poligamia,  a mulher não passa de um objecto, podendo ser aviltada e humilhada, dada, vendida e até apostada pelo marido.

Adepto do Manchester aposta a mulher e ganha... uma casa

Publicado em 13 nov 2013 às 22:44

O caso terá sucedido na cidade ugandesa de Iganga, antes do Manchester United-Arsenal entre dois adeptos locais de cada uma das equipas.

Uma aposta verdadeiramente bizarra foi feita no passado domingo, antes do Manchester United-Arsenal, a muitos milhares de quilómetros de Old Trafford, pois teve como cenário a cidade de Iganga, no Uganda. Segundo a notícia do jornal ugandês "The Observer", Rashid Yiga, adepto do Manchester United, decidiu apostar a sua mulher e o seu carro em como a equipa de que é adepto ganhava ao Arsenal e Henry Dhabasani, adepto do Arsenal, aceitou o repto, colocando em jogo a sua casa, apostando que os "gunners" venciam.

Resultado, como o Manchester ganhou (1-0), Yiga manteve a posse da sua mulher e do seu carro e ganhou direito a uma nova casa com dois quartos.

A propósito do desfecho da aposta, o "The Observer" relatou:

"Os dois colocaram as suas apostas no papel perante o testemunho dos líderes locais e dos adeptos. Dhabasani, que é casado com três mulheres e tem cinco filhos, desmaiou no local após a derrota do Arsenal. Na segunda-feira, vários adeptos do Manchester United invadiram a sua casa, retirando-o a ele e à família de lá".

11 novembro 2013

Tráfico de crianças em Moçambique

À margem da insegurança dos portugueses, ou das guerras políticas, uma reportagem da SIC mostra um outro drama real que se vive em Moçambique - o tráfico de crianças. Um grupo de 22, algumas bebés com menos de um ano, foi resgatado pela polícia quando estava a atravessar ilegalmente a fronteira entre Moçambique e a África do Sul. Foram detidos dois homens que aparentemente integravam a rede de tráfico e que na altura asseguravam a passagem clandestina dos menores. A reportagem é dos enviados da SIC a Maputo.

05 novembro 2013

TEDxBelémWomen


Tive a honra e o privilégio de ter sido uma das sete mulheres convidadas para fazer uma palestra no evento TEDxBelémWomen, que se realizará no próximo dia 5 de Dezembro, às 15:00h, no Museu da Eletricidade.

Organizada por Isabel Canha e Maria Serina, duas jornalistas em cujas carreiras o mundo dos negócios e das mulheres se encontrou, e no âmbito da Organização Internacional TED-Ideas Worth Spreading, a TEDxBelémWomen, sob o tema “Desbravar novos mundos”, comporta oradoras de diferentes áreas e de um largo espectro etário que vão partilhar ideias e experiências inspiradoras que não deixarão ninguém indiferente.

Já foi criada pela Organização a página do facebook do evento, aqui:
https://www.facebook.com/tedxbelemwomen

28 outubro 2013

Violência doméstica mata cada vez mais

Em seis meses, o número de mulheres mortas por violência doméstica já ultrapassou mais de metade dos números de 2012.
Mariana Cabral

Perguntar a Maria Macedo, diretora técnica da Associação de Mulheres Contra a Violência (AMCV), quantas mulheres morreram este ano em Portugal vítimas de violência doméstica implica receber uma resposta emocionada: "Uma mulher morta que seja é sempre um número altíssimo".

Em 2012, as mortes contabilizadas são, por isso, "demasiadas": 37, segundo os dados da GNR e da PSP, que também registaram 26.084 queixas de violência doméstica.

Este ano, os números continuam a preocupar. Até junho, já se registaram pelo menos 20 assassínios e 21 tentativas de homicídio relacionados com violência doméstica, de acordo com informações recolhidas pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) e fornecidas ao Expresso.

Números que podem ser ainda mais graves do que parecem, uma vez que Maria Macedo revela que as autoridades não contabilizam as mortes das vítimas que não falecem no dia e local da agressão, assim como as mortes de pessoas relacionadas com a vítima de violência. "Conheço um caso, no ano passado, de uma amiga de uma mulher agredida que foi assassinada quando foi a casa do casal buscar alguns pertences. Esse tipo de mortes não entra na contagem", diz.

Prisão 'não domiciliária'

Maria Macedo explica também o funcionamento de uma medida de coação a agressores que tem sido cada vez mais utilizada: a pulseira eletrónica. Até 30 de junho deste ano, 149 arguidos estavam sujeitos a esta vigilância, mais do que os 116 registados nos 12 meses do ano passado, segundo dados da Direção-Geral da Reinserção e Serviços Prisionais.

"É uma medida de afastamento. Os agressores têm uma pulseira que não podem retirar e as vítimas têm um dispositivo, do tamanho de um telemóvel, que apita quando os agressores estão a menos de 'x' metros delas. A pulseira também avisa o agressor que tem de se afastar e os sinais são enviados para a Cruz Vermelha, que depois articula a situação com as autoridades".

"Há 20 anos olhavam para nós como se fossemos de Marte"

Prestes a completar 20 anos, a AMCV acompanhou, no ano passado, 9.135 pessoas em situações de violência, numa média mensal de 192 utentes, nos seus centros de acolhimento, casas de abrigo e grupos de ajuda. "De 1993 para cá a situação em Portugal já é completamente diferente, é um tema que as pessoas reconhecem", explica Maria Macedo. "Há 20 anos olhavam para nós como se fossemos de Marte, até relativamente à igualdade sexual." 

"As mulheres são muitas vezes reféns e aguentam num sistema de sobrevivência, sem se mexerem muito para evitarem mais agressões. O risco de morte é maior na altura em que elas vão sair ou quando estão separadas, por isso é que elas têm de estar informadas, para saberem qual a melhor forma de saírem em segurança", explica, justificando a nova campanha da AMCV, intitulada "Esquecer a primeira agressão é tão difícil como esquecer o primeiro beijo".

A AMCV pretende que haja uma maior consciencialização sobre a violência doméstica, pelo que, para além da campanha que irá ser divulgada nas televisões, associou-se ao Benfica para realizar uma ação no jogo das "águias" frente ao Gil Vicente, hoje à noite: conseguir que trezentos casais se beijem ao mesmo tempo no Estádio da Luz, num gesto contra a violência sexual.  
"As pessoas já têm outra forma de olhar, mas não deixa de ser difícil perceber as coisas e intervir, até por parte das famílias, uma vez que o agressor cria estratégias de isolamento. Às vezes não sabem o que podem fazer, as pessoas perguntam-nos isso. Ainda há muitos mitos em relação à violência doméstica", conclui Maria Macedo.
Informações úteis

- Site da Associação de Mulheres Contra a Violência: http://www.amcv.org.pt
- Site da União de Mulheres Alternativa e Resposta: http://www.umarfeminismos.org
- Site da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima: http://apav.pt
- Informações da PSP sobre violência doméstica: http://www.psp.pt/Pages/programasespeciais/violenciadomestica.aspx
- Se quiser apoiar a AMCV, pode fazer um donativo através de um SMS para 61966 ou ligar para 760 20 70 40 (€0,60+IVA).

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/violencia-domestica-mata-cada-vez-mais=f827213#ixzz2j2dyCud7

27 outubro 2013

No Woman, No Drive



"No woman, no drive" ou "Não mulher, não conduzes!”, a versão satírica da famosa canção de Bob Marley, feita pelo artista e activista árabe Hisham Fageeh, a favor das mulheres da Arábia Saudita que desafiaram corajosamente a proibição de conduzir um automóvel. Com ironia, o artista refere-se à interdição até de cantar e ouvir música que o fanatismo religioso impõe à população, sobretudo aos
jovens e às mulheres. Segue a tradução que fiz da fala do cantor e da letra, para os que não são anglófilos, porque vale a pena perceber o que ele canta.


“Olá, o meu nome é Hisham Fageeh. Sou um
artista e activista social. Na verdade não ouço música, mas enquanto estudava
nos Estados Unidos, ouvi esta canção, cantada por um tipo jamaicano que me
chamou a atenção e eu decidi fazer a minha própria versão, com letra relevante
para a minha cultura, mas sem instrumentos musicais. E agora, com a ajuda dos
meus talentosos amigos, vou cantar:

Não Mulher Não Conduzes!

Não mulher não conduzes!

Digo digo
Digo: eu lembro-me quando tu te costumavas sentar
no carro da família, mas no banco de trás
ova-ovários muito a salvo e bem
para poderes fazer muitos e muitos bebés

Bons amigos tivemos, bons amigos perdemos
na auto-estrada

Neste brilhante futuro
não podes esquecer o teu passado
portanto deixa as chaves do carro de lado

Não mulher, não conduzes!
Não mulher, não conduzes!
Ei, irmãzinha, não toques nesse volante
Não mulher, não conduzes!

Lembro-me quando tu te costumavas sentar
no carro da família, mas no banco de trás

Decerto o motorista pode levar-te a toda a parte
porque as rainhas não conduzem
mas tu podes cozinhar o meu jantar
que eu partilharei contigo

Os teus pés são a tua única carruagem,
mas só dentro de casa – e quando eu digo isto
é mesmo com intenção

Tudo vai ficar bem
Não mulher não conduzes!
Ei, irmãzinha, não toques nesse volante
Não mulher não conduzes!

O protesto das mulheres sauditas

Condutores sauditas já não estavam habituados a ver mulheres ao volante
 


Nunca se vai saber ao certo quantas foram, mas foram mais de vinte as mulheres que desafiaram este sábado a autoridade do Ministério do Interior, da monarquia e da elite religiosa ultraconservadora da Arábia Saudita, participando – ao volante – num novo protesto contra a “tradição” que proíbe a população feminina de conduzir.
May Al Sawyan foi uma das mulheres que aderiu à “campanha”, que teve origem numa “sugestão”: uma petição assinada por 17 mil pessoas a favor do direito das mulheres a conduzir. Num vídeo de quatro minutos, colocado na página de YouTube da campanha, pode ver-se Sawyan, de óculos escuros mas sem esconder a cara, a dirigir um automóvel em Riad, acompanhada apenas pela repórter de uma estação televisiva que registou o acontecimento. “Foi uma volta pequena, e correu tudo bem, Só fui até ao supermercado e de volta para casa”, explicou à Associated Press pelo telefone.

O gesto de “rebeldia” poderia ter tido consequências sérias: as autoridades avisaram que as prevaricadoras (e também os seus “cúmplices”) seriam objecto de sanções, mas May Al Sawyan estava disposta a enfrentar o risco. “Sinto-me muito feliz e orgulhosa por ninguém ter reagido contra mim. Percebi olhares de surpresa em alguns dos carros na direcção oposta, mas percebo perfeitamente: ninguém está já habituado a ver uma mulher ao volante”, lembrou.

A “campanha”, assim denominada uma vez que os protestos políticos são ilegais na Arábia Saudita, foi a terceira desde 1995. Nesse ano, a contestação levou à detenção de 50 mulheres, que além de verem os seus passaportes confiscados também perderam os empregos. Em 2011, uma nova manifestação em várias cidades também terminou com detenções: sob pressão da comunidade internacional, o rei Abdullah acabou por perdoar a pena de Shaima Jastaniya, de 34 anos, condenada a dez chicotadas por conduzir em Jidá.

Não há nenhuma lei ou regulamento a determinar que a condução de veículos está vedada à população do género feminino. A proibição resulta de uma fatwa do Grande Mufti, a principal autoridade religiosa, que nos anos 90 decretou que a condução expunha as mulheres à tentação. Dez anos mais tarde, quando se pôs a hipótese de rever esse edital, uma nova “recomendação” do supremo conselho religioso Majlis al-Ifta al-Aala, que alertou para uma “perigosa” relação de causalidade: nas sociedades onde as mulheres foram autorizadas a conduzir, o “declínio moral” e o “caos social” acentuaram-se.
 
Um relatório que foi entregue à Shura, a assembleia legislativa do reino, apontava algumas das consequências devastadoras do levantamento da proibição: o fim da virgindade, o aumento da pornografia, homossexualidade e divórcio.
 
No Twitter, multiplicaram-se as manifestações de apoio à “luta” das mulheres sauditas pelo direito à condução vindas do mundo inteiro. Agregadas pela etiqueta #women2drive, milhares de mensagens ironizavam com a situação – um dos posts mais populares foi publicado pelo músico, actor e activista Hisham Fageeh, que inventou uma nova letra para a melodia do jamaicano Bob Marley, com o título No Woman, No drive –, enquanto outras mostravam fotografias de mulheres ao volante, condenando a “opressão” e a “discriminação” reservada às sauditas.